quarta-feira, 25 de julho de 2012

Proteção de gatos

Neste tempo em que moro em São Paulo, eu me tornei protetora de um gatinho chamado Ringo. Para quem não sabe, na linguagem humano-felina, protetora é a pessoa que dá um lar temporário ao gatinho, para doá-lo posteriormente a uma família que reúna condições estruturais e psicológicas (principalmente). 

Eu o resgatei, após um contato com uma moça que estava lá na Cobasi-Imigrantes. Ela estava preocupada com o espaço do apartamento e achou o gatinho no meio da rua. Ela já tinha quatro gatos; o quinto não iria dar para ela cuidar. Entendo perfeitamente o lado dela, pois gato precisa de espaço, senão ele se estressa legal.

Como Ringo não se adaptou ao meu lar, eu tive que ser a protetora dele. Ele brigava tanto com o Zulu, que os dois gatos ficaram doentes com tanto estresse. Por isso que tomei a decisão de doá-lo a uma família com estrutura adequada.

Qual é a função principal de um protetor? Eu vou citar não apenas uma, mas várias. A primeira, dar carinho e atenção ao gato resgatado. Em muitos casos (não foi o meu), o animal é encontrado em um estado vulnerável, diante de vários perigos, como maus tratos, envenenamento e fome. E o protetor deve dar carinho extra ao animalzinho, o que facilita muito na adaptação ao novo lar.

A segunda, educar o animalzinho para fazer as necessidades básicas e a comer a refeição adequada. Não dê leite de vaca ao filhote, pelo amor de Deus!!! Eu mesma dei uma bronca no meu colega de trabalho, que ganhou um filhote de pequinês e ele estava dando leite, que já é um veneno para o cão e o gato. E nada mais irritante você adotar um gato que não tenha sido educado a fazer as necessidades na areia ou a comer adequadamente. 

Eu passei pelo segundo perrengue e quase pirei. Adotei a minha primeira gata, a Duquesa, por uma protetora que não teve o cuidado suficiente para alimentá-la de forma adequada. Tanto é que ela não queria saber de ração por um bom tempo e ela queria saber de comer a carne processada com a ração ou avançar a minha comida. Para educá-la na alimentação, eu tive que adotar o Zulu, que comia todo tipo de ração, para que ela aprendesse a apreciar a comida correta. E deu certo. 

A terceira, castrar o gato. A castração não deve ser considerada como uma vaidade humana, mas sim um assunto de saúde pública. Gatos castrados evitam doenças no aparelho reprodutor, como câncer no útero, e tem seu temperamento mais abrandado. Não invente de dar injeções, para não inchar as mamas do gato ou causar câncer. Segundo a linguagem popular, pode tirar as bolinhas do bichano mesmo! Na fêmea, são os ovários.

Fora isso, não custa lembrar que o gato entra na puberdade cedinho, entre quatro e cinco meses. Quanto mais cedo for realizada a castração, melhor para o animalzinho. Em média, uma ninhada de gatinhos tem quatro ou cinco filhotes. A gata fêmea pode dar cria duas vezes ao ano; então dá dez filhotes. O macho é pior, pois ele procriar vários filhotes em várias gatas, além de ter um comportamento territorialista e agressivo. Nos cães, os machos também marcam o território com jatos de urina e o comportamento é bastante hiperativo e agressivo. 

Se você não pode arcar com a castração no preço habitual (infelizmente, ela é cara), você pode esperar pelos mutirões de castração, realizadas por Ongs sérias. Eu castrei o Ringo assim e paguei um preço simbólico. Tente optar por uma castração menos invasiva, especialmente nas fêmeas. Alguns veterinários fazem cortes pequenos, apenas para retirar os ovários. Entretanto, outros cortam a barriguinha inteira da gata e dão muitos pontos. Acho o sofrimento desnecessário para elas...

Quarta indicação: levar o gato ao veterinário e a cuidar da higiene dele. Providenciar todas as vacinas obrigatórias ao gato e limpar as orelhinhas, os olhinhos e dar banho nele. A vacina quádrupla e a anti-rábica são importantíssimas. Não leve o gato apenas quando ele estiver quase no leito de morte, só para se fazer de santo. 

A minha quinta dica é agir como um psicólogo na hora de procurar uma nova família. Não invente de dar o gatinho para alguém que não tenha condições estruturais ou psicológicas para isso. De preferência, o gato deve morar em um apartamento, com telas. No meu prédio, dois gatos já morreram depois de pular das janelas. Quando eu me mudei para cá, gastei horrores com as telas e fiquei até com as janelas fechadas, enquanto a Duquesa estava aqui. E era época de verão e muito calor aqui em São Paulo. Porém, fiz questão de evitar uma tragédia maior e a Duquesa está vivinha até agora.

Eu conheço gente com alto poder aquisitivo que trata bicho de forma intolerável. Uma colega minha me questionou o porquê de eu ter preocupação em dar comida de qualidade para o gato. Quase falei para ela, mas eu sou bem educada: você não comeria comida podre. E sei de pessoas que são humildes, mas tratam o animal como alguém da família, dando todos os cuidados adequados. E esta foi a nova família do Ringo. Quando eu cheguei lá, eu vi o carinho que eles tratavam os outros animais. A casa deles é simples, mas eles foram muito acolhedores e mostraram os animais deles, tratados com amor e carinho. Eu tive que agir como psicóloga, pois eu sou capaz de voltar com o gato se eu não gostar da família. Podem até me xingar, mas eu sou assim.

E o sexto e último conselho é não doar o animalzinho com o objetivo de procriação. A adoção responsável é justamente a que permite ao animal não ter mais filhotes, para protegê-los dos maus tratos e de outros problemas mais graves. Soube de um caso absurdo de uma protetora, que doou um cão São Bernardo sem castrá-lo. Já é uma infração grave do nosso código de conduta, pois o animal deve ser castrado. E a protetora doou para uma mulher, que queria que a cadela da mesma raça tenha filhotinhos e doe aos seus amigos. Doar coisa nenhuma, vender mesmo!!! Até parece que eu nasci ontem...

O texto foi grande, mas ele é informativo. Vou dormir, pois eu vou colocar mais dicas. Lambeijos e boa noite!!!


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